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Para as famílias

Quando seu filho diz “sou ruim em matemática”

Ninguém nasce sabendo voar, nem mesmo uma abelha! Quando alguma coisa fica difícil, eu digo “ainda não” e tento de novo. Cada tropeço deixa minhas asas um pouquinho mais fortes.

“Eu sou ruim em matemática.” “Eu não nasci para isso.” “Odeio fazer conta.” Ouvir isso do seu filho ou da sua filha dói, ainda mais se você sentia a mesma coisa na escola. A boa notícia é que o que uma criança sente pela matemática pode mudar, e os adultos ao redor dela podem ajudar muito. Este guia explica como reconhecer a ansiedade matemática e o que você pode fazer em casa.

O que é ansiedade matemática?

Ansiedade matemática é aquela sensação de nervoso, aflição ou medo que aparece na hora de fazer matemática. Não é a mesma coisa que ter dificuldade com a matéria. Muitas crianças que sabem fazer as contas ficam nervosas com elas, e é justamente o nervoso que atrapalha. Quando a criança trava, fica muito mais difícil lembrar a tabuada ou seguir os passos de um problema, e o erro parece dar razão a ela (“Viu? Eu sou ruim mesmo”). O objetivo é quebrar esse ciclo.

Sinais para observar

Toda criança tem um dia ruim. O que merece atenção é quando esses sinais voltam várias vezes.

A escola também cuida da confiança

A BNCC, que define o que se aprende em cada ano no país todo, não fala só de números, medidas e geometria. Entre as competências de matemática que ela traz para o Ensino Fundamental, uma delas fala em sentir segurança quanto à própria capacidade de construir conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções. A BNCC também pede que as crianças expliquem como pensaram, e não só que acertem o resultado. E muitas professoras tratam o erro como uma pista do raciocínio, e não como um fracasso.

Ou seja: ajudar seu filho a perder o medo de errar não é um extra. Faz parte de aprender matemática.

Mude as palavras: “ainda”

Muitas crianças acreditam que ser bom em matemática é coisa de quem nasce com o dom: ou você tem, ou não tem. Na escola, as professoras tentam trocar essa ideia por outra: todo mundo melhora com prática, e achar difícil faz parte de aprender, não é prova de que você não consegue.

Em casa, você pode reforçar isso com uma palavra bem pequena: “ainda”.

Outras frases que ajudam:

E elogie o caminho, não o “dom”: “Gostei de ver você tentar de outro jeito quando o primeiro não deu certo” ajuda mais do que “Você é muito inteligente”.

Algumas frases é melhor evitar, mesmo ditas com todo o carinho: “Fica tranquilo, tem gente que não nasceu para a matemática”, “Mas essa é fácil!” (se é fácil e a criança não consegue, como ela vai se sentir?) e “Anda logo”.

A dica da Indie

Cole na geladeira uma lista de “Coisas que eu já sei fazer”. Cada vez que seu filho conseguir algo que achava difícil, anote, com a data. No dia em que ele disser “sou péssimo em matemática”, leiam a lista juntos.

O que você sente pela matemática

Muitos adultos ficam inseguros com a matemática, muitas vezes por causa do jeito como aprenderam. Não há nada de errado nisso, mas as crianças prestam muita atenção ao que a gente diz. Se seu filho ouve “eu também nunca levei jeito para matemática”, pode concluir que é coisa de família e que nem adianta se esforçar.

Algumas ideias que ajudam:

Praticar sem pressão: jogos e matemática de verdade

Uma criança com ansiedade matemática precisa de muita matemática que não tenha cara de prova: sem cronômetro, sem nota e sem plateia. A ideia é que ela viva a matemática como algo seguro, e até divertido.

Desafios e quebra-cabeças também ajudam, desde que ninguém seja obrigado a terminar. Empacar num desafio e, de repente, enxergar a solução é uma das melhores sensações que a matemática pode dar.

Se o que assusta são as provas, ajuda saber como funcionam. Em geral, a nota do bimestre ou do trimestre não vem só da prova: trabalhos, atividades em sala e o caderno também costumam contar, e muitas escolas oferecem recuperação. E o Saeb, a avaliação nacional do 2º e do 5º ano, não vale nota para a criança. Explicamos tudo em As provas de matemática, explicadas.

Quando conversar com a professora

Conversar com a professora ou o professor do seu filho é sempre uma boa ideia, e vale pedir uma conversa (sem esperar a reunião de pais) se:

A professora vê outro lado da criança e pode contar como ela se sai nas aulas. Se for preciso, a escola pode oferecer apoio, como o reforço escolar em pequenos grupos; como isso funciona depende da rede e da escola. Se a conversa com a professora não bastar, procure também a coordenação pedagógica: a coordenação acompanha as turmas e ajuda a combinar o que a escola e a família podem fazer juntas.

Algumas crianças têm discalculia, uma dificuldade específica e duradoura para entender os números. Se seu filho continua achando muito difícil o mais básico, mesmo com bastante ajuda, converse com a professora e com a coordenação. Quem confirma ou descarta a discalculia são profissionais especializados, e a escola pode orientar a família sobre a quem procurar. O atendimento educacional especializado (AEE) é voltado para os estudantes da educação especial; se esse for o caso do seu filho, a escola explica como ele funciona.

Respostas rápidas

Ter ansiedade matemática é o mesmo que ser ruim em matemática?

Não. Crianças que vão muito bem e crianças que têm dificuldade podem sentir ansiedade matemática. O nervoso atrapalha o raciocínio, então uma criança ansiosa costuma render menos do que realmente sabe.

Devo deixar a lição de casa de lado se ela termina em choro?

Naquele dia, sim: pare e mande um bilhete curto para a professora na agenda (ou pelo canal que a escola usa). Depois, converse com ela para vocês encontrarem juntos um jeito de deixar a lição mais leve.

A ansiedade matemática passa?

Sim. Com apoio tranquilo, muitas pequenas conquistas, um passo de cada vez, e palavras positivas em casa e na escola, a maioria das crianças ganha muita confiança.

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