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Guia do tema
Números e valor posicional
Contar é dizer os números em ordem e fazer corresponder um número a cada coisa contada. O valor posicional é a ideia de que um algarismo vale mais ou menos conforme o lugar que ocupa no número. Em 333 há três algarismos 3, mas cada um vale uma coisa diferente: 3 centenas, 3 dezenas e 3 unidades. Quase tudo o que vem depois nos anos iniciais (a conta armada com “vai um”, a tabuada, os números decimais) se apoia nessas duas ideias.
O que se aprende em cada ano
A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) define o que se aprende em cada ano, na unidade temática Números, e vale para todas as escolas, públicas e particulares. Cada estado ou município monta o seu currículo em cima dela, e cada escola faz o seu planejamento, então a ordem exata dos conteúdos depende da rede e da escola. A tabela mostra o essencial.
| Ano | O que as crianças aprendem |
|---|---|
| Pré-escola | Ainda não existe uma matéria chamada matemática: os números aparecem nas brincadeiras e na rotina, como a chamadinha e o calendário. A BNCC pede que a criança relacione os números às quantidades e identifique o que vem antes, depois e entre numa sequência. Em muitas escolas, as crianças contam objetos até 10 aos 4 anos e até 20 ou mais aos 5, comparam quantidades (mais, menos, a mesma quantidade) e começam o traçado dos numerais de 0 a 9. |
| 1º ano | Números que indicam quantidade, ordem (1º, 2º, 3º…) e também código, como um número de telefone. Contar coleções de até 100 objetos, agrupando de dez em dez. Compor e decompor números de dois algarismos: 34 são 3 dezenas e 4 unidades. Comparar números, com e sem a reta numérica. Costumam aparecer também o antecessor e o sucessor, os números pares e ímpares e a contagem de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10. |
| 2º ano | Até 1.000: chegam as centenas. Comparar e ordenar números observando o valor de cada algarismo pela posição e o papel do zero. Estimar e contar coleções de até 1.000 objetos. Compor e decompor números de até três ordens: 347 = 300 + 40 + 7. Os sinais > e < costumam aparecer por aqui. |
| 3º ano | Até 9.999: chega a unidade de milhar. Ler, escrever, comparar, compor e decompor números de quatro algarismos: 2.506 = 2.000 + 500 + 6. Localizar números na reta numérica. Muitos livros começam aqui a arredondar para a dezena ou a centena mais próxima, para fazer estimativas. |
| 4º ano | Até 99.999: a dezena de milhar. Escrever qualquer número com adições e multiplicações por potências de dez: 3.482 = 3 × 1.000 + 4 × 100 + 8 × 10 + 2. Estimar resultados. Os primeiros números decimais, os décimos e centésimos, ligados ao dinheiro: R$ 2,35. |
| 5º ano | Até 999.999: a centena de milhar, com as duas primeiras classes completas. Ler, escrever, ordenar e localizar números decimais na reta numérica. Muitos livros já apresentam a classe dos milhões. Os números negativos ficam para os anos finais (do 6º ao 9º ano). |
As grandes ideias
1. Contar é muito mais que recitar
Uma criança consegue recitar “um, dois, três…” muito antes de saber contar de verdade. Contar bem é apontar cada coisa uma única vez, saber que o último número dito é o total e entender que o resultado não muda se a contagem for feita em outra ordem. Conte com seu filho degraus, botões, tampinhas ou macarrão, e no fim pergunte: “Então, quantos são?”. Se ele recomeça a contagem do início, ainda não percebeu que o último número é a resposta. Outra coisa que aparece cedo é reconhecer quantidades pequenas sem contar, como os pontinhos de um dado.
2. Algarismo e número: o lugar muda o valor
Nosso sistema de numeração decimal usa só dez algarismos, de 0 a 9, e com eles se escrevem todos os números, assim como com as letras se escrevem todas as palavras. Cada posição, que a professora chama de ordem, vale dez vezes o valor da posição à sua direita: 10 unidades formam 1 dezena, 10 dezenas formam 1 centena e 10 centenas formam 1 unidade de milhar. Na escola, as crianças registram isso no quadro de ordens (ou QVL, quadro valor de lugar), com as colunas C, D e U.
Para que a criança veja e toque essas trocas, quase toda escola brasileira usa o material dourado: o cubinho vale 1, a barra vale 10, a placa vale 100 e o cubo grande vale 1.000.
Separar um número em partes se chama decompor. No caderno, você vai ver formas assim: 3.482 = 3.000 + 400 + 80 + 2 e, a partir do 4º ano, 3.482 = 3 × 1.000 + 4 × 100 + 8 × 10 + 2. E há outras maneiras de decompor, como 3.482 = 3.000 + 300 + 182, que ajudam muito na subtração.
Muitos livros também falam em valor absoluto e valor relativo: em 3.482, o 4 tem valor absoluto 4 (é o próprio algarismo) e valor relativo 400 (o que ele vale naquela posição). E atenção a uma pergunta clássica das provas: “o algarismo das dezenas” não é o mesmo que “quantas dezenas tem o número”. Em 352, o algarismo das dezenas é o 5, mas o número tem 35 dezenas, porque 350 são 35 grupos de dez.
O zero também conta. Em 405, o 0 mostra que não há dezenas e mantém o 4 no lugar das centenas. Sem ele, 405 viraria 45.
Deixe o valor posicional ao alcance das mãos. Amarre palitos de picolé (ou canudinhos) com um elástico em montinhos de dez, e dez montinhos num pacote de cem. Trocar dez palitos soltos por um montinho é exatamente o que a criança vai fazer depois na conta armada, quando disser “vai um”. Pergunte à professora qual material a turma usa (material dourado, ábaco, palitos, quadro numérico) e use o mesmo em casa: a criança reconhece o material e ganha confiança.
3. Comparar e ordenar: antecessor, sucessor, maior e menor
No 1º ano entram o antecessor (o número que vem logo antes) e o sucessor (o que vem logo depois): o antecessor de 40 é 39 e o sucessor de 99 é 100. Também aparecem os números pares, que terminam em 0, 2, 4, 6 ou 8, e os ímpares, que terminam em 1, 3, 5, 7 ou 9. E os números ordinais, que indicam posição: primeiro, segundo, terceiro… décimo. Eles levam um “o” ou um “a” pequenininho no alto (1º, 3º, 2ª), e as crianças já convivem com eles: o 1º lugar na corrida, o 3º andar, o próprio 1º ano.
Para comparar dois números, coloque um embaixo do outro e olhe primeiro a ordem de maior valor. Tanto 5.309 quanto 5.290 têm 5 unidades de milhar, mas 5.309 tem 3 centenas e 5.290 só tem 2, então 5.309 > 5.290. Os sinais > (maior que) e < (menor que) confundem no começo; uma dica que funciona é lembrar que o lado aberto fica sempre virado para o número maior.
4. Números grandes: ordens e classes
As ordens se agrupam de três em três e formam as classes. Unidade, dezena e centena formam a classe das unidades simples; unidade de milhar, dezena de milhar e centena de milhar formam a classe dos milhares. Depois vem a classe dos milhões. Para ler um número grande, separe os algarismos em grupos de três a partir da direita e leia classe por classe: 472.519 se lê “quatrocentos e setenta e dois mil quinhentos e dezenove”.
No Brasil, o ponto separa as classes (1.000; 25.000; R$ 1.250,00) e a vírgula fica para os decimais (2,5). Alguns livros usam um espacinho no lugar do ponto (25 000). Os anos não levam ponto: 2026. Um milhão é mil vezes mil (1.000.000), e um bilhão é mil vezes um milhão (1.000.000.000).
5. Arredondar: o número redondo mais perto
Arredondar é encontrar o número “redondo” mais próximo, o que ajuda muito nas estimativas e no cálculo aproximado. Olhe o algarismo logo à direita da ordem para a qual você vai arredondar: se for 5 ou mais, arredonde para cima; se for 4 ou menos, para baixo. Assim, 3.482 arredondado para a dezena mais próxima é 3.480; para a centena, 3.500; e para a unidade de milhar, 3.000.
6. Os números romanos: séculos, imperadores e relógios
Os romanos escreviam os números com letras: I = 1, V = 5, X = 10, L = 50, C = 100, D = 500 e M = 1.000. As letras se somam (VIII = 8), mas, quando uma letra menor vem antes de uma maior, ela é subtraída: IV = 4, IX = 9, XL = 40, XC = 90. A BNCC não pede os números romanos nos anos iniciais, mas muitos livros trazem o assunto, porque eles estão por toda parte: nos séculos (“século XXI”), nos nomes dos imperadores (Dom Pedro I e Dom Pedro II), nos capítulos de livros e em muitos relógios, onde às vezes o 4 aparece como IIII. O ano de 2026 se escreve MMXXVI. Os números romanos não têm zero nem valor posicional, e por isso não servem para armar contas como as nossas.
Erros comuns para ficar de olho
- Escrever o número do jeito que ele soa: “trezentos e quatro” escrito 3004 em vez de 304, ou “mil e vinte” escrito 100020 em vez de 1.020.
- Esquecer o zero: escrever 57 querendo dizer 507 (“quinhentos e sete”), ou 507 querendo dizer 5.007 (“cinco mil e sete”).
- De 11 a 15, nomes que despistam: onze, doze, treze, catorze e quinze não soam como “dez e alguma coisa”, então algumas crianças demoram a ver que 13 é 1 dezena e 3 unidades. A partir do dezesseis (dez e seis) fica mais claro.
- A ortografia por extenso: “cincoenta” no lugar de cinquenta, “seicentos” no lugar de seiscentos, “dezeseis” e “dezesete” com um s só, em vez de dezesseis e dezessete.
- Trocar o ponto pela vírgula: achar que 1.500 é “um e meio”, ou que R$ 1,50 é mil e quinhentos reais. No Brasil, o ponto separa os milhares e a vírgula separa os decimais.
- Arredondar errado: arredondar 3.482 para a centena e escrever 3.582, ou cortar os zeros e escrever 35. Todos os algarismos à direita da ordem arredondada viram 0.
Jogos de cinco minutos para fazer em casa
- Contar degraus. Conte com seu filho ao subir e ao descer a escada. Os maiores podem contar de 2 em 2, de 5 em 5 ou de 10 em 10, ou começar no 37 e contar para trás.
- Quem forma o maior número. Cada jogador tira quatro cartas de 0 a 9 (ou joga um dado quatro vezes) e forma o maior número possível. Com 7, 2, 9 e 4, o maior é 9.742 e o menor, 2.479.
- Nunca dez. Uma versão caseira do jogo que muitas escolas fazem com material dourado. Cada um joga o dado e pega essa quantidade de palitos. Quem juntar dez palitos soltos amarra um montinho com elástico, porque ninguém pode ficar com dez soltos: nunca dez! Ganha quem chegar primeiro a 5 montinhos (50 palitos). A cada rodada, pergunte: “Quantos montinhos e quantos soltos? Que número é esse?”.
- Adivinhe o número. Pense num número até 100 (ou até 1.000). Seu filho dá um palpite e você responde “é maior” ou “é menor” até ele acertar.
- Números na rua. Em muitas cidades, as casas de número par ficam de um lado da rua e as de número ímpar do outro: confiram juntos. Com o número de uma casa ou de um prédio, pergunte: qual é o antecessor? E o sucessor? E arredondado para a centena? Repare também nos números que são código, como o CEP ou a linha do ônibus: eles não servem para contar nem para ordenar.
O desafio da IndieNa aula, a abelha Indie montou um número com material dourado: 3 placas, 14 barras e 6 cubinhos. Que número ela formou? E quanto dá esse número arredondado para a centena mais próxima? Ver a resposta
3 placas valem 300, 14 barras valem 140 e 6 cubinhos valem 6: 300 + 140 + 6 = 446. Dá para conferir trocando 10 barras por 1 placa: ficam 4 placas, 4 barras e 6 cubinhos, ou seja, 4 centenas, 4 dezenas e 6 unidades. Arredondado para a centena mais próxima, 446 vira 400, porque o algarismo das dezenas é 4, e 4 ou menos arredonda para baixo.
Atividades grátis de números e valor posicional
Imprima para praticar em casa ou na sala de aula. Cada atividade traz as respostas na segunda página.
Sequências até 1001º ano, 2º ano · Contando de 1 em 1, de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10Baixar PDF
Dezenas e unidades1º ano, 2º ano · Decomponha números de dois algarismosBaixar PDF
Centenas, dezenas e unidades2º ano, 3º ano · Valor posicional até 999Baixar PDF
Arredondar números3º ano, 4º ano · Para a dezena, a centena e o milhar mais próximosBaixar PDFRespostas rápidas
É o valor que um algarismo tem de acordo com o lugar que ocupa no número. Em 352, o 5 está na ordem das dezenas, então vale 50, e não 5.
Algarismos são os dez símbolos de 0 a 9. Os números são formados por algarismos, assim como as palavras são formadas por letras. 352 é um número de três algarismos.
O valor absoluto é o próprio algarismo; o valor relativo é quanto ele vale pela posição que ocupa. Em 3.482, o 8 tem valor absoluto 8 e valor relativo 80.
Um número terminado em 5, como 65, está bem no meio do caminho entre 60 e 70. A regra combinada na escola é arredondar esses casos para cima, então 65 vira 70.
No Brasil, um bilhão é mil vezes um milhão: 1.000.000.000, um 1 seguido de nove zeros. Cuidado com materiais de Portugal: lá, “bilião” quer dizer um milhão de milhões.
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