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Para professores

Diferenciação em matemática

Na colmeia, todas nós trabalhamos no mesmo favo, mas cada abelha tem a sua função. Uma aula de matemática pode funcionar assim: uma tarefa só, com muitas portas de entrada.

Diferenciar em matemática é garantir que todos os estudantes aprendam na aula: quem acha o conteúdo difícil recebe o apoio de que precisa, e quem entende de primeira encontra um desafio de verdade. Toda sala dos anos iniciais é heterogênea, e por muito tempo a saída foi dar uma folha mais fácil para uns e “a continuação do livro” para outros. Hoje muitas professoras e professores preferem outro caminho: a turma toda trabalha a mesma ideia ao mesmo tempo, com o apoio e o desafio dentro da mesma tarefa. Este guia mostra como fazer isso, com ideias que você pode levar para a sala amanhã.

O que dizem a BNCC e a LDB

A BNCC define as aprendizagens essenciais de cada ano, mas deixa para os currículos e para a escola as decisões sobre como ensinar. Entre essas decisões, cita selecionar metodologias e estratégias diversificadas, “recorrendo a ritmos diferenciados” e a conteúdos complementares quando necessário, para atender às necessidades de diferentes grupos de estudantes. A LDB vai na mesma direção: cabe ao professor estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento (art. 13), e a lei prevê estudos de recuperação de preferência paralelos ao período letivo (art. 24). Como isso se organiza na prática (horários de reforço, recuperação paralela, apoio da coordenação) depende da rede e da escola.

A turma toda avança junta

A ideia é que a turma caminhe mais ou menos no mesmo ritmo: quem pega a ideia rápido recebe problemas mais ricos sobre ela, e não o próximo capítulo do livro; quem ainda não domina pratica mais antes de seguir. Na aula, isso fica assim:

Material concreto: do objeto ao desenho, do desenho ao número

Um caminho muito usado é ir do concreto ao pictórico (o desenho, o esquema) e só então ao simbólico (os números e os sinais). O material que mais rende nos anos iniciais:

O material não é só para quem tem dificuldade. Peça a um estudante bem seguro que mostre 52 − 27 com o material dourado: ele começa com 5 barras e 2 cubinhos; para tirar 7 cubinhos, precisa trocar 1 barra por 10 cubinhos (fica com 4 barras e 12 cubinhos); tirando 2 barras e 7 cubinhos, sobram 2 barras e 5 cubinhos, ou seja, 25. Muitas vezes você vai descobrir que ele sabe armar a conta, mas não sabe explicar por que ela funciona.

A dica da Indie

Deixe o mesmo material em todas as mesas, em todas as aulas, e use-o você também quando explicar no quadro. Quando tampinhas e material dourado são o jeito normal de pensar na sua sala, quem mais precisa deles vai usá-los sem se sentir exposto.

A mesma situação-problema, com números diferentes

Um recurso simples: a turma toda recebe o mesmo enunciado, em três versões de números, e cada estudante escolhe (ou recebe) a sua. Por exemplo: “Na festa junina, cada saquinho de pipoca custa R$ 3,00.”

Na hora de corrigir, todos falam da mesma situação e comparam estratégias: quem contou de 3 em 3, quem usou a tabuada, quem fez 10 saquinhos mais 10 saquinhos mais 5. A conversa é uma só, e ninguém fica de fora.

Tarefas com piso baixo e teto alto

Uma tarefa de piso baixo e teto alto é aquela que todos conseguem começar, mas que vai longe. A turma inteira trabalha o mesmo problema, e cada um chega naturalmente a uma profundidade diferente.

Nas classes multisseriadas, comuns nas escolas do campo, esse tipo de tarefa é um grande aliado: o mesmo problema atende ao 2º e ao 4º ano ao mesmo tempo, cada um no seu nível.

Agrupamentos produtivos

Muitas professoras chamam de agrupamentos produtivos as duplas ou os pequenos grupos montados de propósito, a partir do que cada estudante já sabe, para que um aprenda com o outro. A dupla funciona melhor quando os saberes são próximos, mas diferentes: quem já conta de 10 em 10 com quem ainda conta de 1 em 1 e está quase lá. Juntar o estudante mais avançado com o que tem mais dificuldade costuma virar “um faz e o outro copia”. Mude os grupos com frequência: quem sofre com frações pode voar em medidas.

Andaimes que saem de cena

Um andaime é um apoio temporário para o estudante fazer algo que ainda não consegue sozinho. O objetivo é sempre retirá-lo. Em matemática, funcionam bem:

Decida antes quando cada apoio sai: depois de três exercícios, depois de um “mostre para mim” ou na aula seguinte. Senão, o andaime vira muleta.

Reforço, recuperação e AEE

Um bom plano de reforço em matemática é enxuto: poucas coisas (os fatos básicos da adição, a tabuada, o valor posicional), trabalhadas em momentos curtos e frequentes. Reveja o plano a cada bimestre ou trimestre para ver se já pode ser encerrado. As páginas de cada ano escolar ajudam a localizar as lacunas que vêm dos anos anteriores.

Com estudantes público-alvo da educação especial, você não trabalha sozinho. O atendimento educacional especializado (AEE), em geral na sala de recursos multifuncionais e no contraturno, complementa a aula, não a substitui. Converse com a professora ou o professor do AEE e com a coordenação, e compartilhe o planejamento da semana. O ideal é que o apoio gire em torno da mesma tarefa da turma: se a sala está na subtração com empresta, aquele estudante faz as mesmas contas com material dourado, e não uma folha de outro assunto.

Cartões de desafio

Um cartão de desafio aprofunda o que está sendo aprendido. Escreva algumas propostas gerais em cartões e escolha as que combinam com cada aula:

Um exemplo, se a aula é de adição com números de dois algarismos: “Com os algarismos 2, 3, 4 e 5, usando cada um uma vez só, forme dois números de dois algarismos. Qual é a maior soma possível? E a menor?” A maior é 95 (por exemplo, 53 + 42), porque o 5 e o 4 precisam ficar nas dezenas. A menor é 59 (por exemplo, 24 + 35), com o 2 e o 3 nas dezenas. Quem percebe que, com os mesmos algarismos nas dezenas, qualquer combinação dá o mesmo total está raciocinando sobre o valor posicional, e não só fazendo contas.

Desafios para quem termina antes

A atividade de quem termina antes precisa valer a pena, e não ser mais do mesmo. Desafios de lógica são ótimos: praticam os fatos básicos e fazem pensar.

Respostas rápidas

Devo separar a turma por níveis?

Muitas escolas preferem misturar estudantes de níveis diferentes nas mesas, com agrupamentos produtivos e apoio flexível para quem precisar naquela aula. Seja qual for a prática da sua escola, evite grupos fixos: o estudante que tem dificuldade com frações pode ir muito bem em medidas.

O que fazer com quem termina antes?

Aprofundar a mesma ideia: um cartão de desafio, um problema aberto ou um desafio de favo. Evite dar mais exercícios iguais, que podem soar como castigo por ter trabalhado rápido.

Como ajudar um estudante que está bem atrás da turma?

Use material concreto, mantenha a ideia central da aula sempre que possível e reserve momentos curtos para os fatos básicos que faltam, como os pares que formam 10 e a tabuada. Converse com a coordenação sobre o reforço e, se for o caso, com o AEE.

Material concreto não é coisa de criança pequena?

Não. Material dourado e tiras de frações continuam úteis no 4º e no 5º ano, e há professores dos anos finais que também trabalham com material. Se você usar o material nas suas explicações, os maiores vão enxergá-lo como ferramenta, não como brinquedo.

Pratique com a Indie

O Beequation Kids transforma os fatos básicos em desafios de favo de mel, e a abelha Indie dá uma dica quando a criança empaca. Sem anúncios e sem coleta de dados.

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