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Guia do tema

Ver as horas

Nós, abelhas, aprendemos em que hora do dia nossas flores favoritas se abrem, e chegamos bem na hora! Eu também olho o relógio. Quando o ponteiro grande aponta para o 12, é hora em ponto: três em ponto, quatro em ponto!

Ver as horas é ler um relógio e dizer que horas são, com palavras (“três e quinze”) e com números (3:15 no relógio digital, ou 15h15 se for de tarde). O tema também inclui calcular quanto tempo uma coisa dura, usar o calendário e saber como se encaixam os segundos, os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses e os anos. Na BNCC, o tempo fica em “Grandezas e medidas”, ao lado do comprimento e da massa.

É um dos aprendizados mais difíceis dos anos iniciais. No relógio de ponteiros, os mesmos números servem para duas coisas; o tempo se conta de 60 em 60, e não de 10 em 10 como no resto da matemática; e no Brasil convivem dois jeitos de dizer a hora: “três da tarde” na conversa e “15h” no horário da escola ou no convite de aniversário. Conte com alguns anos de aprendizado e muita prática com um relógio de verdade.

O que se aprende em cada ano

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) define as habilidades de matemática ano a ano, e o tempo aparece em todos eles. A ordem dentro do ano depende da rede e da escola, então o livro do seu filho pode ir um pouco antes ou depois.

AnoO que se aprende
Pré-escolaO tempo na rotina: dia e noite, antes e depois, ontem, hoje e amanhã, a sequência do dia (a roda de conversa, o lanche, o parque) e o calendário da sala. Ler o relógio ainda não é o objetivo.
1º anoRelatar em ordem o que acontece num dia, usando os horários quando possível (EF01MA16). As partes do dia, os dias da semana e os meses do ano, com a ajuda do calendário (EF01MA17). Escrever a data com dia, mês e ano e descobrir em que dia da semana ela cai (EF01MA18). Em muitas escolas, as primeiras horas exatas no relógio de ponteiros.
2º anoContar quantos dias ou semanas há entre duas datas no calendário, para planejar a agenda (EF02MA18). Medir quanto tempo dura uma atividade com um relógio digital, anotando o horário de início e o de fim (EF02MA19). Em muitos livros, também o “e meia” no relógio de ponteiros.
3º anoLer as horas no relógio de ponteiros e no digital e relacionar hora e minutos, minuto e segundos (EF03MA23): 1 hora tem 60 minutos, e 1 minuto tem 60 segundos. Registrar o início, o fim e a duração de uma atividade (EF03MA22). Costuma ser o ano do “e quinze”, do “quinze para as…”, da hora de 5 em 5 minutos e, depois, minuto a minuto.
4º anoLer, medir e registrar intervalos de tempo em horas, minutos e segundos em situações do dia a dia, como o início, o fim e a duração de uma tarefa (EF04MA22).
5º anoResolver e elaborar problemas com medidas de tempo, transformando as unidades mais usadas (EF05MA19): 150 minutos são 2 h 30 min, ou 2,5 h. Horários de ônibus, a duração de uma viagem e a programação da TV são situações comuns nos livros.

As grandes ideias

1. Dois ponteiros, dois trabalhos

O ponteiro pequeno é o ponteiro das horas. O grande é o ponteiro dos minutos. Comece pelas horas exatas, ou “em ponto”: quando o ponteiro grande aponta bem para cima, para o 12, o pequeno diz que horas são. Depois vem o “e meia”: o ponteiro grande aponta bem para baixo, para o 6, e o pequeno fica no meio do caminho entre dois números. Às quatro e meia, o ponteiro pequeno está entre o 4 e o 5.

Esse “meio do caminho” é importante: o ponteiro das horas anda devagarinho o tempo todo, por isso só aponta exatamente para um número nas horas em ponto.

2. Cada número do relógio vale 5 minutos

123456789101112 3:15
Três e quinze. O ponteiro grande aponta para o 3, que quer dizer 15 minutos. O pequeno já andou um quarto do caminho entre o 3 e o 4. O relógio digital mostra 3:15 (ou 15:15, se forem três e quinze da tarde).

Os números do relógio são, na verdade, os das horas. Para os minutos, a criança conta de 5 em 5 ao redor do mostrador: o 1 vale 5 minutos, o 2 vale 10, o 3 vale 15, e assim por diante, até 60 no 12. Por isso contar de 5 em 5, e depois a tabuada do 5, é uma ótima preparação.

Divida o relógio ao meio com uma linha do 12 ao 6. Quando o ponteiro grande está do lado direito, dizemos a hora que acabou de passar e os minutos: três e cinco, três e quinze, três e vinte. Do lado esquerdo, existem dois jeitos, e a criança vai ouvir os dois: continuar contando (três e quarenta) ou dizer quantos minutos faltam para a próxima hora. Às 3:40 faltam 20 minutos para as quatro, então são vinte para as quatro. Às 3:45, quinze para as quatro; às 3:50, dez para as quatro. Quando a criança já lê os risquinhos pequenos, chega a hora minuto a minuto: 3:17 são três e dezessete.

E o “quarto de hora”? A expressão existe (15 minutos são um quarto de hora), mas no dia a dia quase ninguém diz “três e um quarto”: a gente diz “três e quinze”.

3. Analógico e digital: dois jeitos de mostrar a mesma hora

O relógio analógico é o de ponteiros. O digital mostra números: primeiro a hora e, depois dos dois-pontos, os minutos. O digital sempre conta os minutos que já passaram, nunca os que faltam. Por isso “vinte para as quatro” aparece como 3:40, e não 4:20. Peça ao seu filho que diga as duas versões: “3:40, ou seja, vinte para as quatro”. É assim que o celular e o micro-ondas mostram as horas.

4. Da manhã, da tarde, da noite e o horário de 24 horas

O ponteiro das horas dá duas voltas por dia: “sete horas” pode ser a hora de sair para a escola ou a hora do jantar. Na conversa, a gente esclarece com da manhã, da tarde, da noite e da madrugada (da meia-noite até o dia clarear): sete da manhã, três da tarde, nove da noite.

Por escrito, o Brasil usa o horário de 24 horas o tempo todo: no horário da escola, nos convites, na TV e na rodoviária. Ele continua contando depois do meio-dia. Para uma hora da tarde ou da noite, some 12: sete e vinte da noite são 19h20, e três e quinze da tarde são 15h15. Para voltar, tire 12: 16h45 são quinze para as cinco da tarde. O meio-dia é 12h e a meia-noite é 0h (no relógio digital, 00:00), a hora dos fogos do Ano-Novo. No caderno e nos convites, a hora costuma ser escrita com “h”: 15h, 15h30 ou 15h30min; os relógios digitais mostram 15:30.

Lido em voz alta, 16h45 vira “dezesseis e quarenta e cinco” (ou “dezesseis horas e quarenta e cinco minutos”, no rádio e nos avisos), mas na conversa é “quinze para as cinco”. A criança precisa ouvir os dois jeitos e saber que são a mesma hora. Os turnos da escola são um bom exemplo: quem estuda à tarde pode entrar, por exemplo, às 13h e sair às 17h30, ou seja, à uma da tarde e às cinco e meia.

A dica da Indie

Deixe um relógio de ponteiros num lugar onde seu filho o veja todos os dias e converse sobre ele em voz alta: “São quatro e vinte. A gente sai para o futebol às quatro e meia. Quantos minutos faltam?” Alguns segundos de conversa com o relógio por dia ajudam mais do que uma longa sessão de atividades uma vez por semana.

5. O tempo não conta de 10 em 10

Uma hora tem 60 minutos, e não 100. Por isso não dá para calcular quanto tempo uma coisa dura subtraindo os horários como números comuns. O que funciona é avançar aos saltos: primeiro até a próxima hora exata, depois as horas inteiras e, por último, os minutos que sobram. Uma sessão de cinema que começa às 17h45 e termina às 19h20:

15 min1 h20 min17h4518h19h19h2015 min + 1 h + 20 min = 1 h 35 min

No total, 1 hora e 35 minutos. Desenhar os saltos numa linha do tempo, como a de cima, ajuda muito: é a mesma ideia da reta numérica que a criança já usa nas contas.

6. O calendário e as unidades de tempo

Estas equivalências vão sendo aprendidas de cor ao longo dos anos iniciais:

UnidadeEquivale a
1 minuto60 segundos
1 hora60 minutos (3.600 segundos)
1 dia24 horas
1 semana7 dias
1 quinzena15 dias
1 bimestre / 1 trimestre / 1 semestre2 meses / 3 meses / 6 meses
1 ano12 meses, 52 semanas e 1 dia, ou 365 dias (366 no ano bissexto)
1 década / 1 século10 anos / 100 anos

No Brasil, o calendário costuma começar no domingo, e as datas se escrevem com dia, mês e ano: 10/10/2026, ou “10 de outubro de 2026”. Contar intervalos no calendário é coisa do 2º ano: do Dia das Crianças (12/10) ao Dia do Professor (15/10) são 3 dias. O ano bissexto vem a cada quatro anos, quando fevereiro tem 29 dias em vez de 28; o próximo é 2028.

Para os outros meses, use o truque dos nós dos dedos: feche as duas mãos lado a lado e conte os meses passando pelos nós e pelos vãos entre eles, começando com janeiro no primeiro nó. Julho cai no último nó de uma mão e agosto no primeiro nó da outra. Os meses que caem num nó (janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro) têm 31 dias. Os que caem num vão têm 30, menos fevereiro.

Transformar uma unidade em outra é multiplicar ou dividir: 3 horas são 3 × 60 = 180 minutos; 3 semanas, 21 dias; 2 anos, 24 meses; 2 h 15 min são 2 × 60 + 15 = 135 minutos. E ao contrário: 150 segundos são 2 minutos e 30 segundos, porque 150 ÷ 60 dá 2 e sobram 30 (uma divisão com resto, como as da chave).

Erros comuns para ficar de olho

Jogos de cinco minutos para fazer em casa

O desafio da IndieA abelha Indie sai da colmeia para buscar néctar às 10h40 e volta à uma e quinze da tarde. Quanto tempo ela passa fora? Ver a resposta

Primeiro, a hora da volta no horário de 24 horas: uma e quinze da tarde são 13h15. Agora, avance aos saltos. Das 10h40 às 11h são 20 minutos. Das 11h às 13h são 2 horas. Das 13h às 13h15 são 15 minutos. No total, 2 horas e 20 + 15 = 35 minutos: 2 horas e 35 minutos.

Atividades grátis para aprender a ver as horas

Imprima para praticar em casa ou na sala de aula. Cada atividade traz as respostas na segunda página.

Prévia da atividade “Horas exatas e meia hora”Horas exatas e meia hora1º ano, 2º ano · Leia os relógios de ponteirosBaixar PDF
Prévia da atividade “E quinze, e meia e quinze para”E quinze, e meia e quinze para2º ano, 3º ano · Leia os relógios de ponteirosBaixar PDF
Prévia da atividade “As horas de 5 em 5 minutos”As horas de 5 em 5 minutos3º ano, 4º ano · Leia os relógios de ponteirosBaixar PDF

Respostas rápidas

Com que idade a criança deve saber ver as horas?

A BNCC traz a medida do tempo com o relógio digital no 2º ano (7 a 8 anos) e a leitura das horas no relógio de ponteiros e no digital no 3º ano (8 a 9 anos). Muitas escolas começam antes, com as horas exatas e o “e meia”. Muitas crianças precisam de mais tempo, e isso é normal: o que ajuda é praticar com frequência num relógio de verdade.

Relógio de ponteiros ou digital para o meu filho?

Os dois são úteis, mas o de ponteiros faz praticar a parte mais difícil e mostra, num relance, quanto tempo falta para alguma coisa, o que o digital não mostra.

Como passar do horário de 24 horas para o jeito que a gente fala?

A partir das 13h, tire 12 e acrescente “da tarde” ou “da noite”: 18h30 são seis e meia da tarde, e 13h é uma da tarde. 0h20 é meia-noite e vinte, e 3h10 são três e dez da madrugada. De manhã, nada muda: 8h15 são oito e quinze da manhã.

É “meio-dia e meia” ou “meio-dia e meio”?

Meio-dia e meia, porque o “meia” fala da meia hora: meio-dia e meia hora. Vale o mesmo para uma e meia e duas e meia. Repare também no verbo: “é uma hora”, “é meio-dia” e “é meia-noite” vão no singular, mas “são duas horas” e “são três e quinze”, no plural. Se a criança disser diferente, basta repetir a frase do jeito certo, sem fazer disso um problema.

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