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Guia do tema

Álgebra e proporcionalidade

Num desafio de favo, um alvéolo esconde um número, e você descobre qual é olhando os vizinhos. Isso é álgebra! O quadradinho de 7 + □ = 10 é um alvéolo escondido esperando por você.

A álgebra é a parte da matemática em que existe um número escondido. Nos anos iniciais, ele aparece como um quadradinho para completar, 7 + □ = 10, e só nos anos finais, a partir do 6º e do 7º ano, o quadradinho vira uma letra. A álgebra também é perceber padrões e regularidades, descobrir a regra de uma sequência e entender o que o sinal de igual quer dizer. A proporcionalidade trata de quantidades que crescem ou diminuem juntas, no mesmo ritmo: o preço quando você compra mais pães de queijo, uma receita para mais gente, a escala de um mapa.

Muitos pais se espantam ao ver “Álgebra” no livro do 1º ano. É que a BNCC organiza a matemática em cinco unidades temáticas (Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e medidas, Probabilidade e estatística), e a Álgebra está em todos os anos, desde o 1º. Mas ali não há letras: há sequências, padrões e a ideia de igualdade. A proporcionalidade direta aparece com esse nome no 5º ano, depois de anos de dobro, metade e triplo. Desde 2022 a BNCC também tem um complemento sobre Computação, e o chamado pensamento computacional conversa muito com a álgebra: achar padrões e seguir ou criar instruções passo a passo.

O que se aprende em cada ano

A tabela segue a BNCC, que define as habilidades de matemática ano a ano. O currículo do seu estado ou município e o livro didático podem mudar um pouco a ordem dos assuntos: depende da rede e da escola.

AnoO que as crianças aprendem
Pré-escolaCopiar, continuar e inventar sequências (vermelho, azul, vermelho, azul…) com blocos, contas e desenhos. Separar objetos por cor, forma e tamanho. Dizer o que vem antes, depois e entre numa sequência.
1º anoOrganizar e ordenar objetos por características. Descrever o padrão de uma sequência de números, figuras ou objetos e descobrir o elemento que falta: 2, 4, 6, □, 10 (EF01MA09 e EF01MA10).
2º anoMontar sequências a partir de qualquer número, seguindo uma regra, para a frente e para trás: 5, 10, 15, 20 ou 30, 27, 24, 21. Descrever o padrão de sequências que se repetem ou que crescem e completar os elementos que faltam (EF02MA09 a EF02MA11).
3º anoSequências em que se soma ou se subtrai sempre o mesmo número, e descobrir a regra (EF03MA10). A ideia de igualdade: contas diferentes com o mesmo resultado, como 6 + 4 = 7 + 3 = 12 − 2 (EF03MA11).
4º anoSequências de múltiplos e grupos de números que deixam o mesmo resto numa divisão. As operações inversas, também com a calculadora. Uma igualdade continua verdadeira quando se soma ou se subtrai o mesmo número nos dois lados. O número desconhecido numa igualdade, com as quatro operações: 3 × □ = 24 (EF04MA11 a EF04MA15).
5º anoA igualdade continua verdadeira também quando os dois lados são multiplicados ou divididos pelo mesmo número. Problemas escritos como uma igualdade com um termo desconhecido. A proporcionalidade direta: preço e quantidade, receitas, escalas de mapas. Dividir uma quantidade em duas partes desiguais, uma o dobro da outra (EF05MA10 a EF05MA13).

As grandes ideias

1. O sinal de igual quer dizer “vale o mesmo que”

Muitas crianças leem o = como “e o resultado é”. Isso funciona em 3 + 5 = 8, mas não funciona em 8 = 3 + 5 ou em 6 + □ = 4 + 5. Pense numa balança de pratos: os dois lados precisam pesar o mesmo. 4 + 5 dá 9, então 6 + □ também tem que dar 9, e o número que falta é 3.

A balança explica também o que a BNCC pede no 4º ano: se você coloca o mesmo peso nos dois pratos, ela continua equilibrada. Em 8 + 2 = 6 + 4, somando 3 nos dois lados, fica 13 = 13. No 5º ano, a regra vale também para multiplicar e dividir: em 3 × 4 = 6 × 2, multiplicando os dois lados por 2, fica 24 = 24. É essa ideia de equivalência que, mais tarde, vai sustentar as equações.

2. Desfazer com a operação inversa

A adição e a subtração são operações inversas: uma desfaz o que a outra faz. A multiplicação e a divisão também. É a mesma ideia da prova real que a criança usa para conferir as contas, e é a chave de quase todo problema com quadradinho. Em □ − 9 = 7, pergunte: “de que número eu tiro 9 e sobram 7?”, e devolva o 9 que foi tirado: 7 + 9 = 16. Em 3 × □ = 24, divida: 24 ÷ 3 = 8. Depois, confira colocando o número no quadradinho: 16 − 9 = 7 e 3 × 8 = 24.

3. As sequências seguem uma regra

+4+4+4+4+4 37111519?
A regra é “somar 4”, então o próximo número é 19 + 4 = 23.

Uma sequência é uma lista de números, cores ou figuras que segue uma regra. Os pequenos continuam sequências e contam de 2 em 2 ou de 5 em 5; os maiores descobrem a regra, explicam com palavras e preveem o que vem mais adiante. Na sequência acima há uma surpresa que o 4º ano investiga: dividindo 7, 11, 15 e 19 por 4, o resto é sempre 3 (11 = 4 × 2 + 3, por exemplo). Os mais curiosos podem ir além e achar uma regra que leva direto a qualquer posição: cada número é 4 vezes a sua posição, menos 1 (o 1º é 4 × 1 − 1 = 3; o 2º, 4 × 2 − 1 = 7). Então o 10º número da sequência é 4 × 10 − 1 = 39.

4. O número desconhecido: primeiro um quadradinho, depois uma letra

No 5º ano, a criança aprende a transformar um problema numa igualdade com um termo desconhecido. “Comprei 3 cadernos iguais e paguei R$ 45,00. Quanto custou cada um?” vira 3 × □ = 45, e a operação inversa resolve: 45 ÷ 3 = 15, então cada caderno custou R$ 15,00. A BNCC também pede que a criança elabore problemas: dada a igualdade □ + 12 = 30, que história combina com ela?

No 6º e no 7º ano, o quadradinho dá lugar a uma letra, quase sempre o x: 3 × x = 45. É a mesma ideia com outra roupa, e quem entendeu o quadradinho chega lá com muito mais tranquilidade.

A dica da Indie

Leia o sinal de igual em voz alta como “vale o mesmo que” e, de vez em quando, escreva as contas “ao contrário”: 10 = 4 + □. A criança que só vê o resultado do lado direito costuma empacar na primeira vez que ele muda de lugar, e depois esse hábito dá trabalho para desfazer.

5. Dividir em partes desiguais

18 figurinhas 666 Miguel: 6Helena: 2 × 6 = 12
Uma parte para Miguel e duas para Helena dão 3 partes iguais. 18 ÷ 3 = 6 figurinhas em cada parte.

Miguel e a irmã, Helena, vão dividir 18 figurinhas repetidas, e Helena, que juntou mais, fica com o dobro. Muitas crianças dividem por 2 porque “são duas pessoas”, mas o desenho mostra outra coisa: Miguel tem 1 parte, Helena tem 2, e são 3 partes iguais ao todo. Cada parte tem 18 ÷ 3 = 6 figurinhas, então Miguel fica com 6 e Helena com 12. Prova real: 6 + 12 = 18, e 12 é mesmo o dobro de 6. Esse desenho, o modelo de barras, já é usado em algumas escolas. A BNCC liga esse problema à ideia de razão: Helena recebe 2 figurinhas para cada 1 de Miguel, e a parte de Miguel é ⅓ do total.

6. Proporcionalidade direta: dobrou um, dobra o outro

Duas quantidades são diretamente proporcionais quando, se uma dobra, a outra também dobra; se uma triplica, a outra também, e assim por diante. Se um pão de queijo custa R$ 2,50, dois custam R$ 5,00 e cinco custam R$ 12,50. Numa tabela, para passar da linha de cima para a de baixo, multiplica-se sempre pelo mesmo número.

Pães de queijoPreço (R$) 12345 2,505,007,5010,0012,50 × 2,50
Cada preço é a quantidade de pães de queijo vezes R$ 2,50. O dobro de pães, o dobro de dinheiro.

Quando o problema não diz o preço de uma unidade, um bom caminho é descobrir esse preço primeiro. Se 4 pães de queijo custam R$ 10,00, um custa R$ 10,00 ÷ 4 = R$ 2,50, e 6 custam 6 × R$ 2,50 = R$ 15,00. A regra de três, que resolve esses problemas de um jeito mais mecânico, fica para os anos finais.

Saber reconhecer o que não é proporcional faz parte do mesmo aprendizado. Uma criança que mede 1,15 m aos 6 anos não vai medir 2,30 m aos 12. E na promoção “leve 3, pague 2”, três pacotes de biscoito não custam o triplo de um, e sim o dobro.

7. Ampliar e reduzir: receitas, malhas e mapas

Para aumentar ou diminuir alguma coisa sem deformá-la, tudo é multiplicado (ou dividido) pelo mesmo número. Uma festa de aniversário é a desculpa perfeita para treinar:

BrigadeiroReceita (cerca de 20)Dobro (cerca de 40)Triplo (cerca de 60)
Leite condensado1 lata2 latas3 latas
Manteiga1 colher de sopa2 colheres de sopa3 colheres de sopa
Chocolate em pó2 colheres de sopa4 colheres de sopa6 colheres de sopa

E para transformar uma receita de 4 pessoas numa de 6? Passe primeiro pela receita de 2 pessoas (divida tudo por 2) e depois multiplique por 3: 200 g de farinha viram 100 g e depois 300 g; 2 ovos viram 1 e depois 3.

Na malha quadriculada, um retângulo de 2 por 5 quadradinhos ampliado 3 vezes fica com 6 por 15: todos os lados foram multiplicados por 3. Repare que a área não fica 3 vezes maior, e sim 9 vezes: de 10 para 90 quadradinhos. As escalas de plantas e mapas funcionam do mesmo jeito. Numa planta baixa em que 1 cm representa 1 m de verdade, um quarto desenhado com 4 cm por 3 cm mede 4 m por 3 m. Num mapa em que 1 cm representa 5 km, duas cidades a 6 cm de distância no papel ficam a 30 km uma da outra.

Erros comuns para ficar de olho

Jogos de cinco minutos para fazer em casa

O desafio da IndieA abelha Indie monta uma fileira de alvéolos de favo com palitos de picolé. Alvéolos vizinhos dividem um lado. Para 1 alvéolo ela usa 6 palitos, para 2 usa 11 e para 3, 16. De quantos palitos ela precisa para uma fileira de 10 alvéolos? Ver a resposta

O primeiro alvéolo precisa de 6 palitos. Cada alvéolo novo divide um lado com o anterior, então só precisa de mais 5. Para 10 alvéolos: 6 + 9 × 5 = 6 + 45 = 51 palitos. Como regra: palitos = 5 × número de alvéolos + 1, e 5 × 10 + 1 = 51. Repare que essa situação não é proporcional: 2 alvéolos não precisam do dobro dos palitos de 1 alvéolo (seriam 12), e sim de 11.

Atividades grátis de álgebra e proporcionalidade

Imprima para praticar em casa ou na sala de aula. Cada atividade traz o gabarito na segunda página.

Prévia da atividade “Descubra o número que falta”Descubra o número que falta4º ano, 5º ano · Qual número está escondido no quadradinho?Baixar PDF

Respostas rápidas

Por que tem álgebra já no 1º ano?

Porque a BNCC coloca a Álgebra como uma das cinco unidades temáticas da matemática em todos os anos. No 1º ano ela não tem letras: é perceber padrões, completar sequências como 2, 4, 6, □, 10 e começar a entender a igualdade. É a base do raciocínio que vai virar equação lá na frente.

Quando as letras aparecem nas contas?

Nos anos finais, a partir do 6º e do 7º ano. Até o 5º ano, o número desconhecido aparece como um quadradinho ou um espaço para completar, como em 3 × □ = 24.

Como saber se uma situação é proporcional?

Faça o teste do dobro: se uma quantidade dobra e a outra também dobra (e o mesmo vale para o triplo, o quádruplo…), a situação é proporcional. O preço de vários pães de queijo iguais é; a altura e a idade de uma pessoa, não.

Meu filho do 5º ano precisa saber regra de três?

Pela BNCC, não. No 5º ano a criança resolve problemas de proporcionalidade com raciocínio próprio: descobre quanto custa uma unidade, dobra, triplica. A regra de três costuma chegar nos anos finais, e quem já entendeu a ideia aprende o método com mais segurança.

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