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Guia do tema

Gráficos e tabelas

Quando eu encontro um campo cheio de flores, volto para a colmeia e danço para contar às outras abelhas onde ele fica. Um gráfico faz o mesmo que a minha dança: mostra a resposta para todo mundo num piscar de olhos.

Dados são as informações que juntamos para responder a uma pergunta, como “qual é a fruta preferida da turma na merenda?”. Quase sempre são números ou respostas que dá para contar. As tabelas e os gráficos organizam esses dados para que a resposta, e tudo o que chama a atenção, apareça logo de cara. Na BNCC, este tema forma a unidade temática Probabilidade e estatística: a estatística (pesquisar, organizar e ler dados) e a probabilidade (o que acontece com certeza, o que talvez aconteça e o que é impossível). Ela está presente do 1º ao 5º ano e começa a ser preparada já na pré-escola.

02468 BananaMaçãMelanciaLaranjaFruta preferida na merendaNúmero de crianças
A melancia ganhou: 8 crianças. Escolheram banana 3 crianças a mais do que laranja (6 − 3 = 3). Ao todo, 21 crianças responderam (6 + 4 + 8 + 3 = 21).

O que se aprende em cada ano

A BNCC define o que se aprende ano a ano, e cada rede e cada escola monta o seu currículo a partir dela, então a ordem dos conteúdos pode variar um pouco.

AnoO que se trabalha
Pré-escolaA BNCC já fala de gráficos aqui: as crianças expressam medidas, como o peso e a altura, “construindo gráficos básicos”. Na prática, é separar brinquedos por cor ou por tamanho, contar cada grupo, ver qual tem mais e montar gráficos simples: uma fila de crianças para cada fruta preferida, ou tiras de papel do tamanho de cada criança, coladas lado a lado.
1º anoLer tabelas e gráficos de colunas simples. Fazer uma pesquisa na turma, com até 30 respostas, e registrar do seu jeito, com desenhos ou risquinhos. Classificar acontecimentos do dia a dia em “acontecerá com certeza”, “talvez aconteça” e “é impossível acontecer”.
2º anoComparar informações em tabelas de dupla entrada e em gráficos de colunas ou de barras. Organizar pesquisas de até 30 respostas em listas, tabelas e gráficos de colunas. Classificar resultados do dia a dia como “muito prováveis”, “pouco prováveis”, “improváveis” ou “impossíveis”.
3º anoResolver problemas com dados em tabelas de dupla entrada e em gráficos de colunas ou de barras, usando expressões como “maior frequência” e “menor frequência”. Pesquisas de até 50 respostas, também no computador. Listar todos os resultados possíveis de um jogo ou de um sorteio e dizer quais têm mais chance.
4º anoGráficos pictóricos, em que desenhos fazem o papel das colunas, e gráficos de colunas agrupadas. Escrever um pequeno texto com a conclusão. Pesquisas com respostas em números, como a idade ou a altura. Um gráfico das temperaturas máxima e mínima de cada dia, até numa planilha eletrônica. Reconhecer o que tem mais chance de acontecer, ainda sem usar frações.
5º anoGráficos de linhas, além dos de colunas e dos pictóricos. Ler dados em textos, tabelas e gráficos sobre assuntos como saúde e trânsito e escrever as conclusões. Uma pesquisa completa, do objetivo ao texto final. Na probabilidade, listar todos os resultados de um experimento e calcular a probabilidade quando todos têm a mesma chance: tirar 6 num dado é 1 chance em 6.

A média, a moda, a mediana e o gráfico de setores (o “gráfico de pizza”) não estão nas habilidades da BNCC para os anos iniciais: ficam para os anos finais do Ensino Fundamental, embora alguns livros do 5º ano já mostrem o gráfico de setores.

Para professores: as habilidades são EF01MA20 a EF01MA22, EF02MA21 a EF02MA23, EF03MA25 a EF03MA28, EF04MA26 a EF04MA28 e EF05MA22 a EF05MA25, mais o gráfico de temperaturas de EF04MA24 e, na educação infantil, o objetivo EI03ET08.

As grandes ideias

1. Tudo começa com uma pergunta

Um gráfico não é um desenho para colorir: ele responde a uma pergunta. O trabalho segue sempre o mesmo caminho: escolher a pergunta, coletar os dados, organizar, representar numa tabela ou num gráfico e, por fim, ler para responder (e quase sempre surge uma pergunta nova). Desde o 1º ano, a BNCC pede que as crianças façam as suas próprias pesquisas. Deixe seu filho escolher a pergunta, como “em que mês o pessoal da turma faz aniversário?” ou “qual é a cor de carro mais comum na nossa rua?”, e todo o resto passa a fazer sentido para ele.

Nos primeiros anos, as respostas são categorias: frutas, cores, brincadeiras. A partir do 4º ano, entram respostas em números, como a idade, a altura ou o número de irmãos. É o que a BNCC chama de variáveis categóricas e numéricas.

2. Contar com risquinhos, de 5 em 5

Contagem de 7: um grupo de 5 e mais 2 risquinhos.

Para coletar as respostas, a turma costuma usar a contagem com risquinhos: um risquinho para cada resposta e, no quinto, um risco atravessado sobre os quatro anteriores, fechando um grupo de cinco. Para saber o total, conta-se de 5 em 5 e depois os risquinhos soltos. Com três grupos e dois soltos: 5, 10, 15, 16, 17. Depois, o total vai para uma tabela simples, com uma coluna para a resposta e outra para a quantidade. Quantas vezes cada resposta aparece é o que, no 3º ano, se chama de frequência.

3. Colunas ou barras?

Os livros brasileiros fazem uma distinção que pega muitos adultos de surpresa: no gráfico de colunas, os retângulos ficam em pé, como no gráfico das frutas lá em cima; no gráfico de barras, eles ficam deitados. Os dois servem para a mesma coisa, comparar grupos, e se leem do mesmo jeito: o comprimento de cada coluna ou barra mostra a quantidade. O de barras é prático quando os nomes são compridos.

A péVan escolarCarroÔnibusBicicleta 0246810Número de crianças
Como chegamos à escola: 25 crianças ao todo (8 + 6 + 5 + 4 + 2 = 25). Vão a pé 2 crianças a mais do que de van escolar (8 − 6 = 2).

4. Sempre leia a legenda e a escala

No gráfico pictórico (também chamado de pictograma), cada desenho representa uma quantidade. Nos primeiros pictogramas, cada desenho vale 1. Depois, a legenda pode dizer que cada carinha vale 2 crianças: então meia carinha vale 1 criança, e três carinhas e meia valem 7. Nos gráficos de colunas e de barras, a escala do eixo pode ir de 2 em 2, de 5 em 5 ou de 10 em 10, e uma coluna que termina bem no meio entre o 10 e o 20 marca 15. A primeira pergunta diante de qualquer gráfico é: “quanto vale cada desenho, ou cada risquinho do eixo?”. E todo gráfico precisa de título e de nome nos eixos: sem eles, não dá para saber o que foi contado.

A dica da Indie

Diante de qualquer gráfico, faça três tipos de pergunta. Ler: “quantas crianças escolheram banana?”. Comparar: “quantas crianças a mais escolheram melancia do que banana?”. Pensar: “por que será que a melancia ganhou? Em outra turma, ou no inverno, daria o mesmo resultado?”. O terceiro tipo é o que as crianças menos praticam, e é nele que se vê se entenderam de verdade. A partir do 4º ano, a BNCC pede justamente isso: escrever um pequeno texto com a conclusão.

5. A tabela de dupla entrada (2º e 3º ano)

Uma tabela de dupla entrada cruza duas informações ao mesmo tempo. Duas turmas de 3º ano votaram na brincadeira preferida do recreio:

Brincadeira3º A3º BTotal
Pega-pega9615
Futebol71017
Pular corda549
Esconde-esconde358
Total242549

Para descobrir quantas crianças do 3º B preferem futebol, a criança acha a linha do futebol e a coluna do 3º B e olha o cruzamento: 10. A tabela responde a mais coisas do que parece: juntando as duas turmas, o futebol ganha, com 17 votos, mas no 3º A a preferida é o pega-pega, com 9. No 4º ano, uma tabela como essa vira um gráfico de colunas agrupadas: duas colunas lado a lado para cada brincadeira, uma de cada cor, e uma legenda dizendo qual cor é de qual turma.

6. O gráfico de linhas mostra mudanças (5º ano)

O gráfico de linhas mostra como alguma coisa muda, quase sempre ao longo do tempo: a temperatura durante o dia ou a altura de um pé de feijão semana a semana. Os pontos são ligados porque os valores entre eles fazem sentido: às 13h o termômetro também marcava alguma coisa, mesmo que ninguém tenha olhado. Por isso não se ligam os topos das colunas no gráfico das frutas: entre “banana” e “maçã” não existe nada.

0102030 162025282622 8h10h12h14h16h18hHora do diaTemperatura (°C)
A temperatura subiu das 8h às 14h, quando chegou a 28 °C, e depois começou a cair. Às 13h ninguém mediu, mas a linha dá uma boa estimativa: entre 26 °C e 27 °C.

No 4º ano, as crianças já anotam as temperaturas máxima e mínima de cada dia e fazem um gráfico de colunas com elas. É um bom momento para comparar regiões do Brasil: um dia de inverno em Porto Alegre e um em Manaus dão gráficos bem diferentes.

7. Certo, talvez ou impossível: a probabilidade

A probabilidade começa com palavras. No 1º ano, “amanhã o sol vai nascer” acontecerá com certeza, “amanhã vai chover” talvez aconteça, e “o meu gato vai falar” é impossível. No 2º ano entram as nuances: muito provável, pouco provável, improvável. No 3º, a criança aprende a listar todos os resultados possíveis: num dado comum, 1, 2, 3, 4, 5 e 6. No 4º ano, compara chances sem usar frações: num saquinho com 3 bolinhas amarelas e 1 azul, é mais provável tirar uma amarela.

No 5º ano, a chance ganha um número. Quando todos os resultados têm a mesma chance, a probabilidade é o número de resultados favoráveis (os que servem) dividido pelo número de resultados possíveis. Tirar 6 no dado é 1 chance em 6 (1/6). Tirar um número par é 3 chances em 6 (o 2, o 4 ou o 6): 3/6, que é o mesmo que 1/2. E no saquinho, tirar uma bolinha amarela é 3 chances em 4. Aqui a probabilidade encontra as frações.

Erros comuns para ficar de olho

Jogos de cinco minutos para fazer em casa

O desafio da IndieA abelha Indie fez um gráfico pictórico das flores que as amigas dela visitaram. Cada pote de mel vale 4 abelhas. Na linha do ipê-amarelo há 3 potes e meio, e na do girassol, 2 potes. Quantas abelhas visitaram o ipê-amarelo? Quantas a mais do que o girassol? Ver a resposta

3 potes inteiros valem 3 × 4 = 12 abelhas, e meio pote é a metade de 4, ou seja, 2 abelhas. O ipê-amarelo recebeu 12 + 2 = 14 abelhas. O girassol recebeu 2 × 4 = 8 abelhas, então o ipê-amarelo teve 14 − 8 = 6 abelhas a mais.

Atividades grátis de gráficos e tabelas

Imprima para praticar em casa ou na sala de aula. Cada atividade traz as respostas na segunda página.

Prévia da atividade “Ler um gráfico de colunas”Ler um gráfico de colunas2º ano, 3º ano · Pesquisa da fruta preferidaBaixar PDF

Respostas rápidas

O que é uma tabela de dupla entrada?

Uma tabela que cruza duas informações: nas linhas, por exemplo, as brincadeiras e, nas colunas, as turmas. Cada número fica no cruzamento de uma linha com uma coluna. A BNCC traz esse tipo de tabela a partir do 2º ano.

Qual é a diferença entre gráfico de colunas e gráfico de barras?

Só a posição. No gráfico de colunas, os retângulos ficam em pé; no de barras, ficam deitados. Os dois comparam grupos e se leem do mesmo jeito. As crianças começam pelas colunas no 1º ano, e as barras aparecem no 2º.

O que são variáveis categóricas e numéricas?

As categóricas são respostas que não são números: a fruta preferida, a cor dos olhos, o jeito de ir para a escola. As numéricas são números: a idade, a altura, o número de irmãos. Nos primeiros anos, as pesquisas usam só categorias; as respostas em números entram no 4º ano.

Quando as crianças aprendem a média?

A média não está nos anos iniciais da BNCC: ela chega nos anos finais do Ensino Fundamental, junto com a moda, a mediana e o gráfico de setores. Para calcular, somam-se todos os valores e divide-se pela quantidade de valores: a média de 2, 4 e 9 é 15 ÷ 3 = 5.

Gráficos e tabelas caem no Saeb?

A prova de matemática do Saeb, a avaliação nacional aplicada a cada dois anos, costuma trazer questões de leitura de tabelas e gráficos. O Saeb avalia as escolas e não dá nota para a criança. Explicamos tudo no guia As provas de matemática da pré-escola ao 5º ano.

Pratique com a Indie

O Beequation Kids transforma os fatos básicos em desafios de favo de mel, e a abelha Indie dá uma dica quando a criança empaca. Sem anúncios e sem coleta de dados.

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