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Guia do ano escolar
Matemática no 1º ano: o que seu filho aprende (6 a 7 anos)
O 1º ano do Ensino Fundamental é o ano das crianças de 6 a 7 anos. É o primeiro dos anos iniciais (que muita gente ainda chama de “Fundamental I”), e entra nele quem tem 6 anos completos até 31 de março: em 2026, as crianças nascidas entre 1º de abril de 2019 e 31 de março de 2020. A grande prioridade do ano é a alfabetização, e a matemática caminha junto, com muita conversa, jogos e material concreto: palitos, tampinhas, material dourado, a reta numérica pendurada na parede. A diferença em relação à pré-escola é que agora há mais tempo sentado na carteira, o caderno ganha espaço e as crianças começam a registrar as contas com números e sinais.
O que as crianças estão aprendendo no 1º ano
Na pré-escola, a criança contava objetos e relacionava os números às quantidades. No 1º ano, os números vão até 100, e a ideia que muda tudo é a de agrupar de dez em dez: dez unidades formam uma dezena. Quando a criança entende que 34 são 3 dezenas e 4 unidades, contar, comparar e fazer contas com números de dois algarismos passa a fazer sentido.
A outra grande conquista são os fatos básicos da adição, sobretudo os pares que formam 10 (como 6 + 4 e 7 + 3) e os dobros (como 5 + 5 e 8 + 8). Eles aparecem em quase todas as contas que vêm depois, por isso vale a pena dar tempo a eles. Ao longo do ano, as crianças também conhecem as moedas e as cédulas do real, usam o calendário, reconhecem formas geométricas no dia a dia e fazem as primeiras pesquisas e gráficos com a turma.
O que a BNCC prevê para o 1º ano
A BNCC traz 22 habilidades de matemática para o 1º ano, de EF01MA01 a EF01MA22, que valem para todas as escolas do país, públicas e particulares. Aqui elas estão agrupadas por tema, e cada título leva ao guia completo daquele assunto. A ordem em que aparecem ao longo do ano depende da rede, da escola e do livro didático.
Números e valor posicional
- Entender que os números servem para coisas diferentes: indicar uma quantidade (5 lápis), uma ordem (o 1º da fila) ou funcionar como código, sem contar nada, como o número de uma casa ou o 10 na camisa de um jogador.
- Contar coleções de até 100 objetos, de forma exata ou aproximada, agrupando de 2 em 2, de 5 em 5 ou de 10 em 10, e registrar o resultado com números.
- Estimar e comparar duas coleções de mais ou menos 20 objetos, dizendo se uma “tem mais”, “tem menos” ou “tem a mesma quantidade” que a outra.
- Comparar números de dois algarismos, com e sem a reta numérica: 38 é menor que 41, porque 3 dezenas são menos que 4 dezenas.
- Compor e decompor números de dois algarismos de vários jeitos, com material concreto: 34 = 30 + 4 = 20 + 14 = 10 + 10 + 10 + 4.
- Em muitas escolas aparecem também o antecessor e o sucessor (o antecessor de 40 é 39, e o sucessor é 41), os números pares e ímpares e a contagem a partir de qualquer número, para a frente e para trás: 87, 88, 89, 90, 91.
Para enxergar as dezenas e as unidades, quase toda escola brasileira usa o material dourado: cada cubinho é uma unidade, e cada barra, do tamanho de dez cubinhos enfileirados, é uma dezena. Palitos de picolé amarrados de dez em dez com um elástico fazem o mesmo papel.
Adição e subtração
- Construir os fatos básicos da adição: os pares que formam 10 (0 + 10, 1 + 9, 2 + 8, 3 + 7, 4 + 6 e 5 + 5), os dobros (6 + 6 = 12) e, aos poucos, as outras somas até 20, como 8 + 5 = 13.
- Ler e escrever contas com os sinais +, − e =, sabendo que “=” quer dizer “é igual a”: 7 + 3 = 10 e 10 = 7 + 3 dizem a mesma coisa.
- Resolver problemas de adição e de subtração com números de até dois algarismos, nos quatro sentidos que a BNCC cita: juntar (Davi tem 5 figurinhas e Helena tem 4; juntos, eles têm 9), acrescentar (havia 8 crianças na fila e chegaram mais 3: agora são 11), separar (de 12 lápis, 7 são azuis; os outros 5 são verdes) e retirar (havia 15 pães de queijo e comemos 6: sobraram 9).
- Chegar ao resultado do seu jeito, com desenhos, dedos, tampinhas ou a reta numérica, e também inventar problemas para os colegas: a BNCC fala em “resolver e elaborar problemas”.
Em muitas escolas, no fim do ano aparecem as primeiras contas armadas, ainda sem “vai um”: em 23 + 14, a criança escreve unidade embaixo de unidade e dezena embaixo de dezena, faz 3 + 4 = 7 e 2 + 1 = 3 e chega a 37. O “vai um” e o “empresta um” costumam ficar para o 2º ou o 3º ano.
Álgebra: classificar e descobrir padrões
Álgebra no 1º ano? Sim, mas sem letras. Nesta idade, a BNCC chama de álgebra o trabalho de perceber regularidades:
- Organizar e ordenar objetos e figuras por características, como cor, forma e tamanho, e explicar que critério foi usado.
- Descrever o padrão de uma sequência de números, figuras ou objetos e descobrir o que falta: em 5, 10, 15, □, 25, o número que falta é 20; em vermelho, azul, azul, vermelho, azul, azul, vermelho…, a próxima cor é azul.
Geometria e figuras
- Dizer onde estão pessoas e objetos usando à direita, à esquerda, em frente e atrás, primeiro a partir de si mesmo e depois a partir de outro ponto de referência. Quando o Pedro está de frente para você, o que fica à direita dele fica à sua esquerda.
- Reconhecer os sólidos geométricos em objetos do dia a dia: o cone numa casquinha de sorvete, o cilindro numa lata, a esfera numa bola e o bloco retangular numa caixa de sapato.
- Identificar o círculo, o quadrado, o retângulo e o triângulo em desenhos, em posições diferentes, e no contorno das faces dos sólidos.
Medidas
- Comparar comprimentos, capacidades e massas com palavras: mais alto, mais baixo, mais comprido, mais curto, mais grosso, mais fino, mais largo, mais pesado, mais leve, cabe mais, cabe menos. E usar essas comparações para pôr objetos em ordem, do menor para o maior.
- Em muitas turmas, as crianças já medem com o próprio corpo ou com objetos, como palmos, pés, passos ou clipes enfileirados, e descobrem que o palmo da professora e o delas dão resultados diferentes. A régua, o metro e o centímetro chegam no 2º ano.
O tempo e o calendário
- Contar em ordem o que acontece num dia: acordar, tomar café da manhã, ir para a escola, o recreio, a volta para casa.
- Conhecer as partes do dia (manhã, tarde e noite), os sete dias da semana e os doze meses do ano, com a ajuda do calendário.
- Escrever uma data com dia, mês e ano, como 12/10/2026, e descobrir no calendário em que dia da semana ela cai: em 2026, o Dia das Crianças é uma segunda-feira.
- Em muitas escolas, as primeiras horas exatas no relógio de ponteiros: quando o ponteiro grande aponta para o 12 e o pequeno aponta para o 3, são três horas.
Dinheiro
- Reconhecer as moedas (5, 10, 25 e 50 centavos e R$ 1) e as cédulas do real (R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50, R$ 100 e R$ 200) e relacionar os seus valores: saber quanto vale cada uma e qual vale mais.
- Perceber que o tamanho não diz o valor: a moeda de 25 centavos é maior que a de 50 centavos, mas vale menos.
- Descobrir o animal de cada cédula: a tartaruga-marinha na de R$ 2, a garça na de R$ 5, a arara na de R$ 10, o mico-leão-dourado na de R$ 20, a onça-pintada na de R$ 50, a garoupa na de R$ 100 e o lobo-guará na de R$ 200. As crianças adoram, e ajuda a guardar os valores.
Trocar uma cédula por moedas e calcular o troco são assuntos do 2º ano em diante; no 1º ano, o importante é conhecer bem o dinheiro e manusear moedas de verdade.
Gráficos e tabelas
- Classificar acontecimentos do dia a dia em “acontecerá com certeza” (amanhã o sol vai nascer), “talvez aconteça” (vai chover no sábado) e “é impossível acontecer” (tirar 7 num dado comum).
- Ler tabelas e gráficos de colunas simples.
- Fazer uma pesquisa com a turma, com até 30 respostas, e registrar do seu jeito, com desenhos, risquinhos ou colunas pintadas. Se, numa turma de 25, 9 crianças preferem banana, 7 manga, 5 maçã e 4 uva, a banana ganhou, e 9 − 4 = 5 crianças a mais escolheram banana do que uva.
Cálculo mental
Um pouquinho todo dia, de cabeça e em voz alta: contar de 10 em 10 a partir de qualquer número (23, 33, 43, 53), dizer na hora quanto falta para 10 (“tenho 6, quanto falta?”), usar os dobros (7 + 7 = 14, então 7 + 8 = 15) e completar a dezena (8 + 5 = 8 + 2 + 3 = 13). Há mais ideias no guia de estratégias de cálculo mental.
E a tabuada? E as frações?
A BNCC ainda não traz multiplicação, divisão nem frações no 1º ano. Contar de 2 em 2 e de 5 em 5, achar dobros e repartir um lanche ao meio, de forma justa, já preparam o terreno: a multiplicação começa no 2º ano, por 2, 3, 4 e 5, junto com as ideias de dobro, metade, triplo e terça parte, e as frações chegam aos poucos a partir daí.
No fim do 1º ano, a maioria das crianças consegue…
- contar até 100, para a frente e para trás, a partir de qualquer número
- contar de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10
- ler, escrever e comparar números até 100 e dizer quantas dezenas e quantas unidades eles têm
- dizer o antecessor e o sucessor de um número até 100
- dizer os pares que formam 10 sem contar nos dedos e usá-los em somas até 20
- resolver problemas de juntar, acrescentar, separar e retirar, como 14 + 5 = 19 e 17 − 8 = 9
- reconhecer as moedas e as cédulas do real e dizer qual vale mais
- dizer em ordem os dias da semana e os meses do ano e achar uma data no calendário
- reconhecer o círculo, o quadrado, o retângulo e o triângulo, e o cone, o cilindro, a esfera e o bloco retangular em objetos
- ler um gráfico de colunas simples e dizer o que tem mais e o que tem menos
Vocabulário do 1º ano
| Palavra | O que quer dizer |
|---|---|
| Algarismo | Cada um dos símbolos usados para escrever os números: 0, 1, 2… até 9. O número 34 tem dois algarismos, o 3 e o 4. |
| Unidade, dezena | Uma unidade é um só; uma dezena é um grupo de 10 unidades. Em 34 há 3 dezenas e 4 unidades. |
| Antecessor, sucessor | O número que vem logo antes e o que vem logo depois: o antecessor de 50 é 49, e o sucessor é 51. |
| Par, ímpar | Um número par de objetos pode ser arrumado em duplas sem sobrar nenhum (2, 4, 6, 8…); num número ímpar, sempre sobra um (1, 3, 5, 7…). |
| Parcelas, soma | Os números que se somam e o resultado: em 6 + 4 = 10, 6 e 4 são as parcelas e 10 é a soma, ou o total. |
| Fatos básicos da adição | As somas de dois números de um algarismo, como 7 + 3 = 10 ou 8 + 5 = 13, que a criança vai aprendendo a dizer de cabeça. |
| Sinal de igual (=) | Quer dizer “é igual a”: os dois lados valem o mesmo, e o resultado pode ficar de qualquer lado: 10 = 6 + 4. |
| Reta numérica | Uma linha com os números em ordem, à mesma distância uns dos outros, usada para contar, comparar e fazer contas com saltos. |
| Material dourado | Peças de madeira ou de plástico para ver o valor de cada algarismo: o cubinho vale 1, e a barra vale 10. |
| Sólidos geométricos | Figuras que não são planas, que ocupam espaço: cone, cilindro, esfera, bloco retangular, cubo, pirâmide. |
Tem prova no 1º ano?
No 1º ano não há nenhuma avaliação nacional. A professora acompanha a turma no dia a dia, pelas atividades, pelo caderno e pela conversa em sala, e pode aplicar pequenas avaliações ao longo do bimestre ou do trimestre. O boletim muda conforme a rede: no 1º e no 2º ano, muitas escolas trocam a nota por um parecer descritivo, um texto que conta o que a criança já sabe e o que ainda está construindo; outras usam conceitos ou notas. A reunião de pais é uma boa hora para perguntar como seu filho está indo em matemática, e não só na leitura.
Como os dois primeiros anos são dedicados à alfabetização, muitas redes evitam reprovar no 1º ano; as regras dependem da rede. A primeira avaliação nacional pode aparecer no 2º ano: o Saeb, que é aplicado a cada dois anos e, nesse ano escolar, só numa amostra de escolas. Explicamos tudo no guia sobre as provas de matemática.
Como ajudar em casa
- Pares do 10 nos dedos. Mostre os dez dedos, abaixe alguns e pergunte quantos ficaram levantados. Depois, passe para as somas até 20. O guia dos pares que formam 10 e 20 tem mais ideias.
- Conte coleções de verdade. Tampinhas, figurinhas, grãos de feijão: peça para seu filho contar e agrupar de dez em dez, em copinhos. “Quatro copinhos cheios e mais 6 soltos: quantos são?” (São 46.)
- Brinque de mercadinho. Use moedas de verdade e embalagens vazias com preços redondos, como R$ 2 ou R$ 5. Na padaria, deixe a criança entregar o dinheiro e receber o troco.
- Calendário na geladeira. Marque aniversários, feriados e a próxima viagem e contem juntos: “Quantos dias faltam para o Dia das Crianças?”
- Caça às formas. Na cozinha, a lata de milho é um cilindro, a caixa de leite é um bloco retangular e a laranja é quase uma esfera.
- Jogos de tabuleiro. Trilha, dominó e qualquer jogo com dado treinam contagem e adição sem parecer lição de casa.
Há muito mais ideias em a matemática do dia a dia e em como ajudar seu filho com a matemática em casa.
Esconda parte de um grupo e pergunte quantos estão escondidos. Coloque 10 tampinhas na mesa, cubra algumas com um copo e mostre o resto: “Estou vendo 6. Quantas estão embaixo do copo?” Vira brincadeira, e seu filho percebe que 6 + 4 = 10 e 10 − 6 = 4 são o mesmo fato visto de dois lados. Quando ele já responder rápido, passe para 15 ou 20 tampinhas.
O desafio da IndieA abelha Indie juntou 15 gotas de mel e deu 6 delas para a abelha rainha. Com quantas gotas de mel a Indie ficou? Ver a resposta
A Indie ficou com 9 gotas de mel. Para fazer 15 − 6, dá para descer até o 10: primeiro 15 − 5 = 10 e, como ainda falta tirar 1, 10 − 1 = 9. Para conferir, faça a conta ao contrário: 9 + 6 = 15.
Atividades grátis para o 1º ano
Imprima para praticar em casa ou na sala de aula. Cada atividade traz as respostas na segunda página.
Sequências até 1001º ano, 2º ano · Contando de 1 em 1, de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10Baixar PDF
Dezenas e unidades1º ano, 2º ano · Decomponha números de dois algarismosBaixar PDF
Pares que formam 10Pré-escola, 1º ano · Os fatos básicos do 10Baixar PDF
Pares que formam 201º ano, 2º ano · Os fatos básicos do 20Baixar PDF
Adição e subtração até 201º ano, 2º ano · Contas misturadas até 20Baixar PDF
Horas exatas e meia hora1º ano, 2º ano · Leia os relógios de ponteirosBaixar PDFPerguntas rápidas
Não. A BNCC não traz multiplicação no 1º ano. Contar de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10 e calcular dobros já preparam o caminho. A multiplicação por 2, 3, 4 e 5 começa no 2º ano, como adição de parcelas iguais, e a tabuada completa costuma ficar pronta entre o 3º e o 4º ano.
Não. No 1º ano, os dedos são uma ótima ferramenta, sempre à mão. Com o tempo e com prática, a criança passa a saber de cabeça os pares que formam 10 e os dobros, e a contagem nos dedos vai diminuindo. Em vez de proibir, mostre caminhos mais rápidos: para 9 + 4, comece no 9 e conte só mais 4, ou complete o 10 (9 + 1 + 3 = 13).
Com 6 anos completos até 31 de março do ano em que começa, segundo a data de corte nacional. Por isso, no começo do ano letivo, em fevereiro, quase todos já têm 6 anos (alguns só completam em fevereiro ou março), e a maioria faz 7 ao longo do ano.
São as somas de dois números de um algarismo, de 0 + 0 a 9 + 9, como 4 + 3 = 7 ou 8 + 6 = 14. No 1º ano, os mais importantes são os pares que formam 10 e os dobros, porque ajudam a chegar a todos os outros. Contamos mais no guia dos pares que formam 10 e 20.
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